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Valfrido da Silva Melo é jornalista, escritor, roteirista, produtor e diretor de TV e consultor político.
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| 10/03/2010 | 11:23 |
| Valdecir desdenha do Judiciário |
Foto: Divulgação Sobre o pedido de prisão do prefeito de Dourados que ainda repousa na mesa do desembargador-relator do processo Owari, Claudionor Miguel Abss Duarte (foto), a única novidade é o desdém do Valdecir em relação ao trabalho da justiça, numa clara demonstração de que tem a certeza da impunidade. Ontem, depois de audiência extra-agenda com o governador André Puccinelli, em entrevista ao CORREIO DO ESTADO, o prefeito disse que "é tudo mentira", que não deve nada a ninguém e que não sabe de nada. Nisso, ele é parecido com Lula da Silva.
O prefeito lança dúvidas sobre o trabalho do Judiciário ao dizer que o pedido de prisão não existe. "A minha defesa foi ao Tribunal e não encontrou nada nos registros. Só se o pedido de prisão ainda está no envelope", ironizou. Será que a ironia tem alguma coisa a ver com um envelope maior que ele andou dizendo que precisava ter para qualquer emergência e cujo conteúdo foi motivo de estresse, recentemente, com sua secretária de finanças, Inês Medeiros? A outra novidade é que, depois, também, da conversa com Puccinelli, Valdecir começou a ser mais claro em relação aos "grandes" que pretende derrubar, para o quê estaria reunindo documentos. Como havia o burburinho de que ele se referia a eventual "caixa dois" da Assembléia Legislativa, deve ter levado uma dura do governador, saindo de lá dizendo que "tem gente grande por trás disso tudo", como já havia afirmado na rádio de Tonanni, mas, agora, sendo mais específico em sua chantagem: "eles não admitem o fato de eu ser prefeito. Não aceitam até hoje a derrota nas eleições". Quem perdeu a eleição para o Valdecir? |
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| 09/03/2010 | 11:51 |
| Prisão de Valdecir repousa na mesa de Duarte |
Foto: Eder Gonçalves 
Marcelo Barros antecipa-se ao Judiciário e pede a saída de Valdecir da prefeitura. Dizia um velho ditado que de cabeça de juiz, de barriga de mulher e de bumbum de neném ninguém sabe o que vem. Dizia, pois com a moderna tecnologia já se pode prever - e até escolher - o sexo das crianças, cujos bumbuns continuam a surpreender, tanto pela coloração (mostarda ou abacate) como pela consistência (líquida ou sólida) do que expele, da mesma forma as privilegiadas cabeças de suas excelências, os magistrados, em que pese as desconfianças cada vez mais acentuadas, depois de tantos escândalos envolvendo também o Judiciário. Pois é dentro deste contexto que se aguarda, para qualquer momento, a decretação da prisão do prefeito de Dourados, Ari Valdecir Artuzi. O pedido, feito pelo procurador-geral de Justiça do Estado, Miguel Vieira da Silva, repousa desde a tarde da última sexta-feira, na mesa do desembargador Claudionor Abss Duarte, relator do processo, o mesmo que mandou soltar os 41 presos das operações Owari e Brothers, em julho do ano passado. As informações são poucas e controvertidas, até porque poucos são os que se arriscam a falar ao telefone, efeito das mesmas Owari e Brothers que pegou todo mundo de calça curta. Mas quem esteve no Parque dos Poderes ontem diz que o pedido de prisão está muito bem fundamentado, tem 42 páginas e está num envelope lacrado, na mesa de Duarte. Nos bastidores a informação é de que as ameaças do prefeito de "derrubar gente grande" que lhe persegue, além das acusações contra o próprio judiciário, pesaram bastante no trâmite do processo, uma vez que à boca pequena Valdecir promete denunciar o que seria o "caixa dois" da Assembléia Legislativa, onde esteve seis anos. O advogado do prefeito douradense, Newley Amarilha, informa hoje ao CORREIO DO ESTADO, que os desembargadores se reunirão para analisar a ação e, depois, intimar o prefeito a fazer sua defesa. Balela. Claudionor pode decretar a prisão a qualquer momento, tal qual aconteceu com o governador do distrito federal. Se um governador não teve este privilégio, por que o Valdecir vai ter? A menos que o desembargador tenha ainda alguma dúvida sobre o trabalho da Polícia Federal, que desbaratou a quadrilha que agia na prefeitura de Dourados, e do Ministério Público. Aí, a coisa pode demorar. Isso não significa, porém, que ele seja tão poderoso assim, a ponto de decidir sozinho o destino do prefeito. Ele pode até ser bonzinho de novo, como acredita - e espalha - a turma do Valdecir, mas vai chegar uma hora em que o processo terá que ser analisado pelo plenário do Tribunal, igualzinho aconteceu no Supremo, que rejeitou o pedido de habeas corpus ao governador preso de Brasília. Ontem alguns vereadores retornaram de Campo Grande aliviados porque teriam sido "salvos" do xilindró. Ledo engano. Quem vai decidir o futuro deles, de Sizuo Uemura e Cia. é a juíza Dileta Terezinha Thomáz, a mesma que mandou prendê-los em 7 de julho passado. Valdecir, apenas, vai ter a sorte definida no Tribunal, porque tem foro privilegiado. Da Tribuna, exibindo a manchete do mesmo CORREIO DO ESTADO dando conta do pedido de prisão do prefeito douradense, o vereador Marcelo Barros pediu seu afastamento imediato do cargo,"por absoluta falta de condições morais e psicológicas para continuar administrando Dourados". |
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| 08/03/2010 | 10:10 |
| Jornais escondem iminente prisão de Valdecir |

No tradicionalíssimo, nenhuma palavra sobre o pedido de prisão contra o prefeito. Qual assunto é mais importante como manchete de um jornal diário de uma cidade com cerca de duzentos mil habitantes: as conquistas das servidoras públicas de Ponta Porã ou o abandono de um Parque concebido para o lazer da população pobre; o apoio do vereador Dirceu Longhi (?) à luta das mulheres ou a iminente prisão do prefeito, quando esta cidade é Dourados? Nem é preciso ser jornalista "com canudo" para se ter esta noção. Qualquer aluno de "grupo escolar" ganharia um doce "adivinhando" qual seria a manchete principal dos dois jornais locais hoje. Pois mais uma vez, para frustração de seus leitores, Diário MS e O Progresso afinaram. E isto porque o Valdecir disse sábado, durante entrevista à FM Tonanni, que ainda não abriu o cofre, ou seja, que não liberou verba para a mídia, pelo menos pelos meios legais, porque até agora a prefeitura não deu conta de fazer uma licitação. Talvez porque a palavra licitação cause calafrios lá pelas bandas do CAM. Imagine o dia que puder fazer empenho. Se "de grátis", já engolem a versão "passaiana" de que Valdecir é o Lula dos guavirais, quando tiver dinheiro, se ele tiver saído da cadeia, vai ser comparado a Nelson Mandela. O que salvou o Diário de um vexame maior foi a vitória do deputado Valdemir Moka na convenção que escolheu ontem o candidato peemedebista ao Senado. Com esta manchete, sem dúvida um assunto relevante e mais que factual, o jornal dos Barbaras entende ter encontrado a desculpa que precisava para tentar justificar aos seus leitores por que não deu destaque ao pedido de prisão contra o prefeito Ari Valdecir e seu bando, o que não exime o jornal pelo pecado capital de tentar esconder (na página 7) o fato jornalístico mais importante do final de semana. Já o sessentão O Progresso, que na edição de sábado trouxe uma discreta chamada de primeira página sobre o assunto, não repercute hoje o pedido de prisão contra o prefeito, preferindo aceitar a ladainha de que ele é vítima de perseguição, publicando matéria produzida pela assessoria da prefeitura. Por um deslize de seu editor de capa O Progresso traz a chamada da matéria paga da prefeitura - "Ari Artuzi diz que é vítima de perseguição" -, ironicamente, ao lado do título "PM prende quadrilha de traficantes". Onde já se viu uma coisa dessas? O Valdecir perto de uma quadrilha? |
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| 07/03/2010 | 12:18 |
| Valdecir na cadeia a qualquer momento |
Foto: Anita Tetslaff .jpg)
Valdecir e Jorginho juntos, na alegria e na tristeza; na prefeitura e na cadeia. "É uma quadrilha que se instalou na prefeitura de Dourados para pôr a mão no dinheiro do povo". (Miguel Vieira da Silva, Procurador Geral de Justiça o Mato Grosso do Sul". O prefeito de Dourados, Ari Valdecir Artuzi, e seus comparsas da operação Owari devem ser presos a qualquer momento. É só o Tribunal de Justiça acatar o pedido neste sentido, feito pelo Procurador Geral do Estado, Miguel Vieira da Silva. Como escrevi no texto anterior, é o "efeito Arruda" (governador do Distrito Federal, preso por chefiar o esquema do mensalão de Brasília). Se um governador está no xilindró por meter a mão no dinheiro do povo, por que seria diferente com um prefeito de uma cidade do cafundó-do-judas? Agora se explica o tom desesperador - e ameaçador - da entrevista de ontem de Valdecir na rádio Grande FM. Ele já devia saber que pode trocar o confortável gabinete do CAM por uma minúscula cela no Harry Amorim Costa. O jornal CORREIO DO ESTADO de hoje estampa em primeira página o pedido de prisão do prefeito de Dourados. Dele, de Sizuo Uemura, o empresário acusado de distribuir propina ao bando de Valdecir, do vice-prefeito Carlinhos Cantor, do presidente da Câmara, Sidlei Alves e de seus colegas de bancada Jr. Teixeira e Paulo Bambu. Meu amigo Joel, diretor da penitenciária de segurança máxima, vai cortar um doze para abrigar tanta gente ilustre em tão poucas "celas especiais". O procurador Miguel Vieira justifica a necessidade de afastamento do prefeito do cargo e de sua ida para a cadeia, tal qual aconteceu com o governador Arruda, para poder aprofundar ainda mais as investigações sobre o desvio de recursos públicos em Dourados. "É uma quadrilha que se instalou na prefeitura para pôr a mão no dinheiro do povo", acusou. Dos males o menor, para o Valdecir. Pelo menos vai ter tempo de sobra para ficar mais à vontade, trocar ideias e fazer planos para o pós-prefeitura com seu assessor para assuntos aleatórios, Jorginho Dauzacker, cuja prisão também foi pedida. E Jorginho não vai só. O irmão mais velho, Astúrio Dauzacker, também integra o grupo dos onze que devem ser presos a qualquer momento. A bola está com o Tribunal de Justiça. |
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