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Índio branco, nascido no Jaguapiru, jornalista intuitivo, forjado no componedor, pós-graduado na Faculdade da Vida, com mestrado nos bastidores políticos e blogueiro por instinto de sobrevivência.
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| 18/05/2012 | 09:13 |
| Com forte influência "murilista", peemedebistas podem barrar candidatura de Marçal Filho |

Nogueira vai defender a coligação com Murilo na Convenção peemedebista Em 1992, no auge de sua popularidade, o prefeito Braz Melo impôs ao Diretório do PMDB o nome de seu secretário de obras Antônio Nogueira para disputar sua sucessão, quando o candidato natural do partido era o deputado Valdenir Machado. Com o voto de socorro de Sandro Barbara, com o carro estragado próximo à Casa Verde em seu retorno de São Paulo especialmente para a Convenção, Nogueira derrotaria Valdenir. O veredito popular referendaria o equívoco de Braz Melo, com a histórica bifurcação política que desviou Dourados mais uma vez da rota do Parque dos Poderes, já que, alquebrado, o máximo que Braz conseguiria, depois de dois anos debaixo do pé de Chico Magro da vice-governadoria, seria um retorno, em 1996, que em nada lembraria a boa performance de sua primeira passagem pelo Casarão da João Rosa Góes, daí para, em 2002, uma última e frustrada tentativa de chegar à Assembleia Legislativa. Pois é carregando este trauma que o PMDB douradense volta a decidir com quem disputar a prefeitura numa convenção partidária daqui a exatamente um mês. Desta vez a imposição do nome de Marçal Filho ficou por conta do inusitado de uma pesquisa cercada de mistério, encomendada ao Ibope. Isto, depois do fiasco protagonizado pelo deputado Geraldo Resende, que, apoiado apenas pelos releases de sua assessoria, sempre publicados ipsis litteris na tal imprensa subordinada, tentou enfiar seu nome goela abaixo do eleitorado. Seria o caso, agora, de lembrar o despretensioso comentário do folclórico anjo das pernas tornas, Mané Garricha, diante da orientação tática do técnico Vicente Feola para um jogo da seleção brasileira, em 1958, com a da União Soviética: "tá legal seu Feola, mas já combinaram com os russos?". Para o que seria o desespero de Marçal Filho, uma vez levada a sério sua provisória candidatura, seria o caso de perguntar: "lá legal, pessoal, mas já combinaram com o Nogueira?". Desespero porque o Nogueira que agora arma o maior barraco contra a candidatura própria do partido é o mesmo pomo da discórdia de 20 anos atrás. Antônio Nogueira, que tentou emplacar o próprio nome quando da escolha do candidato para a eleição tampão do pós-Uragano, diz que tudo é uma questão de coerência, lembrando que foi esse o combinado quando se decidiu pelo apoio do partido a Murilo ano passado. Ou seja, que não seria apenas um apoio momentâneo, mas também para o projeto de reeleição, tanto que aceitou integrar o secretariado municipal. E, mais importante, para ele, aí avalizando a tese da solução de continuidade do líder petista Laerte Tetila, é que esse troca-troca extemporâneo (entre Valdecir e Murilo teve o juiz Eduardo Rocha e a vereadora Délia Razuk) de prefeitos prejudica a cidade. Para Antônio Nogueira a diferença agora é que Marçal Filho está mais maleável, reconhecendo o direito dos convencionais de terem uma alternativa (estou falando que essa candidatura é de araque!) enquanto que Geraldo Resende, segundo ele, "de forma truculenta, tentava amordaçar o diretório". A menos, pois, que haja intervenção da executiva estadual no democrático Diretório Municipal, a candidatura de Marçal Filho depende da aprovação dos 45 convencionais douradenses, entre eles os três parlamentares, além do próprio Marçal, Geraldo Resende e Délia Razuk, cada um com direito a dois votos. E, pelos cálculos dos dissidentes, tirante os votos de Marçal e de seu reduzido número de seguidores, a tendência, pela forte influência de Murilo Zauith no colegiado, é pelo apoio à sua recandidatura, como quer o vice-presidente peemedebista Antônio Nogueira. Como era o desejo, também, do governador André Puccinelli, sem contar, a essa altura do campeonato, as dúvidas quanto aos sinceros propósitos de Geraldo Resende e seu grupo. Detalhezinho: o voto é $ecreto. |
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| 16/05/2012 | 18:58 |
| Alta rejeição de Murilo atiçou cobiça de Marçal |
Além da pesquisa que agora se descobriu ter sido feita mesmo pelo Ibope e daquelas de consumo interno que balizam as decisões do governador André Puccinelli, pelo menos mais quatro foram colocadas na mesa de negociação para a definição do nome de um candidato provisório do PMDB, senão para disputar a prefeitura com o neossocialista Murilo Zauith, pelo menos para (a reclamação da companheirada é generalizada) obrigá-lo a descer do pedestal e rever os compromissos com os partidos que avalizaram o mandato tampão pós-Uragano. Marçal Filho (foto) e Geraldo Resende chegaram à reunião com cadernos de diferentes Institutos, com números mais ou menos coincidentes, mas, mais que a diferença de sete pontos percentuais da quantitativa do Ibope que definiu a parada, o que fez crescerem os olhos de Marçal, que bateu na mesa e exigiu o cumprimento do acordo, foi a média de 30% de rejeição (eleitores que não votam de jeito nenhum) do prefeito, em todas as amostragens.
Por toda a estrutura da azeitadíssima máquina municipal, pela condição empresarial do adversário e, mais, consciente da dificuldade de André Puccinelli de entrar de cabeça numa hipotética campanha contra o amigo Murilo, seu ex-vice-governador, Marçal Filho sabe que são ínfimas suas chances nas urnas, o que mostra o próprio Ibope na mesma página em que ele aparece à frente Geraldo Resende. Tanto que, mesmo diante do segredo de Estado, existindo até uma cláusula contratual com o Instituto proibindo a divulgação dos números, a coruja - aquela, que a pedido do Blog ficou na sacada da governadoria fazendo a leitura labial de todo o palavrório dos peemedebistas - garante que a vantagem do prefeito recandidato é de quase 20 pontos percentuais. Depois do esperneio de Geraldo Resende, que insistia em quebrar o acordo por ter sido mais bem avaliado na pesquisa qualitativa, Marçal Filho se apegou à rejeição do prefeito como forma de pressioná-lo, não só pelos compromissos não cumpridos da eleição do ano passado, mas como vítima de suas garras na eleição de 2006. Murilo é acusado de ter inviabilizado sua eleição para a Câmara Federal ao colocar o vereador Sidlei Alves em seu caminho. Lembrando que até agora o radialista-deputado vinha usando a própria companheira, Keliana Fernandes (a mesma que, com a ajuda de Eleandro Passaia extorquia o Valdecir), ameaçando lançá-la candidata a prefeita. Para o dono do Ibrape, Paulo Catanante, os 30% de rejeição de Murilo Zauith não chegam a ser alarmantes, apenas colocando o prefeito numa situação desconfortável, já que passa à condição refém e, assim, obrigado a ceder a este tipo de chantagem. Ele reafirma seu estranhamento quanto ao critério de escolha do candidato peemedebista, lembrando que "pesquisa extemporânea não serve para mudar a intenção de voto", e que qualquer candidato que entre na disputa agora faz zerar o jogo eleitoral. Some-se ao estranhamento de Catanante a candura de André Puccinelli, sempre tão impositivo nessas ocasiões, mas, especificamente neste episódio, deixando ao inexpressivo presidente peemedebista Ezacheu Nascimento a missão de descascar o abacaxi. Talvez a frase do governador fechando a matéria sobre o assunto ontem no Correio do Estado explique tudo: "O Marçal vai ter de puxar muito o meu saco". Se sair candidato, claro. |
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| 15/05/2012 | 08:47 |
| Marçal é o candidato do PMDB, mas só até Murilo desembolsar os dois milhões de reais |
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Agora é com Murilo: pagou, levou a candidatura peemedebista A palavra de ordem na governadoria, quando o assunto é eleição municipal 2012, é consenso. Custe o que custar. A orientação de André Puccinelli, que avisou semana passada que a pior coisa em política é ser contrariado por aliados, é de que se esgotem as negociações para a promoção de aliança entre candidatos de sua base governamental, "por módique", como diz o caipira, em tempos pós-uragânicos, se dinheiro existe para esse tipo de coisa, está imexível, para ficarmos, aí, no palavreado do ministro collorido Rogério Magri. Então, que negócio é esse de "oficialização" da mais antipática das candidaturas entre os peemedebistas para peitar logo um aliado (Murilo Zauith) de primeira hora e ainda mais no segundo maior colégio eleitoral, decisivo para o projeto de 2014, que prevê a eleição de Nelsinho Trad para o lugar de Puccinelli, doidinho para ser senador? Uma coruja num toco com vista privilegiada para o interior da sala onde o governador ficou até tarde da noite ontem com os peemedebistas douradenses fez a leitura labial dos diálogos, tudo conferindo com o que os principais interessados na questão vêm colocando há tempos e pelo quê alguns andaram até se complicando com a Justiça. Geraldo Resende, batendo na tecla da conspiração, já chegou à reunião "de calças arriadas" e colocando a culpa na imprensa insubordinada por não ter se saído bem nas pesquisas, apesar do esforço sobrenatural de sua assessoria ao longo dos anos para pintá-lo como o mais trabalhador entre os parlamentares da face da terra. Délia Razuk, feliz da vida pela certeza de uma tranquila reeleição como única vereadora incólume da Uragano e, muito mais, pelo jogo de cartas marcadas com Puccinelli, podendo sonhar com a cadeira que um dia foi do marido, Roberto, na Assembleia Legislativa. Já o ungido do dia, Marçal Filho, deixando claro que pelos mesmos dois milhões de reais pedidos ao Valdecir via Passaia pode recuar lá na frente para não atrapalhar o macro do projeto peemedebista estadual. Assim, como candidato, apenas, o nome de Marçal pode até vingar, ser homologado na convenção e tudo mais, para não ficar tão feio para o velho "manda brasa", mas tudo se acertando no correr da campanha, como, aliás, o próprio Murilo já fez anteriormente, deixando o desembolso, como sempre, só para o caso de perigar a reeleição. Não é à toa que o nome do candidato provisório do PMDB à prefeitura de Dourados saiu de um empate técnico de uma pesquisa quantitativa feita sabe-se lá por quem, mas em desvantagem na modalidade de pesquisa que normalmente costuma definir o perfil do melhor nome para esse tipo de disputa - a qualitativa. Tudo para lá na frente facilitar uma saída honrosa. Para esta "eventualidade" de Marçal abandonar a disputa existe até uma "desculpa" de maior apelo emocional, adrede preparada por sua assessoria - a de uma misteriosa doença, motivo de uma recente viagem internacional como se fosse em missão oficial da Câmara Federal, mas na verdade em busca de melhores recursos para o tratamento. Coincidência ou não, enquanto se tabulavam os números da tal pesquisa do Ibope que frustrou a opinião pública, já que ninguém viu, Murilo Zauith andou acertando os ponteiros com Nelsinho Trad, convidado especial para a abertura da Expoagro para mostrar que é ele e não Delcídio do Amaral seu candidato a governador em 2014. Com a ratificação, sem acréscimos, dos dois milhões para a reeleição Marçal Filho deputado federal, independentemente dos números do Ibope, não se esquecendo, claro, do - neste caso, mais que merecido - retorno de Geraldo Resende, também precisando continuar deputado, chega-se à senha do cofre e aos números da reeleição de Murilo Zauith, bem menos que os R$ 20 milhões calculados em caso de uma disputa acirrada. |
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| 09/05/2012 | 09:39 |
| Penas para os envolvidos na operação Uragano podem variar de dois a mais de 500 anos de prisão |
Por sua condição "felomenal" (como diria o impagável bicheiro Giovani Improtas, personagem de José Wilker na novela global Senhora do Destino) o ex-prefeito Ari Valdecir Artuzi (na foto,encarcerado) embora sem pretensão matusalêmica (ainda mais depois de curado, como se diz, do câncer que corroeu seu intestino), uma vez condenado como chefão da Uragano poderá cumprir pelo menos parte da pena que, no seu caso, pode passar dos 500 anos de prisão. A questão, como todo mundo sabe, é que pela legislação brasileira nenhum condenado, independente da duração da pena, pode puxar mais que trinta anos de cana em regime fechado. Não só ele, pois, como seus comparsas podem dormir sossegados, já que não correm risco de mofarem na cadeia, mesmo que a soma das penas de alguns deles, sugerida pelo Ministério Público, seja igualmente assustadora.
Talvez pelo histórico de impunidade na Justiça brasileira, principalmente quando se trata de políticos, a maioria dos uraganos não está nem aí para o abacaxi, alguns agindo como se nada tivesse acontecido, arriscando-se até para poses em coluninhas sociais. O próprio Valdecir continua fazendo política no mesmo ritmo - 24 horas por dia "inclusive à noite" -, e até tendo algumas recaídas, como a do início desta semana, quando foi até a Câmara Municipal atrás de uma brecha no regimento interno que lhe possibilite embasar mais um recurso junto ao Tribunal de Justiça do Estado para tentar reaver o cargo ao qual diz ter sido coagido a renunciar. A maioria dos crimes é por corrupção passiva e formação de quadrilha. Para os advogados que atuam no caso, um deles prometendo grandes surpresas no máximo em 30 dias, além do Valdecir, ironicamente, a situação processual mais delicada é de seu ex-assessor jurídico dos tempos de deputado, depois secretário de governo, Alziro Moreno. Só no artigo 317 do Código Penal, que prevê uma pena de dois a 12 anos de prisão, são 13 incidências, sendo que 11 delas aumentadas em 1/3, pelo que estabelece seu parágrafo primeiro. No total, incluídos os crimes previstos também nos artigos 299 e 312 e seus agravantes, Moreno pode ser condenado a uma pena que varia de 66 a 443 anos de prisão. Acusada dos mesmos crimes, mas em dosagem menor, sua mulher, Tatiane, secretária de administração da malfadada administração Valdecir, também pode voltar para a cadeia. Outros ex-secretários bastante encrencados são Darci Caldo e Inês Boschetti de Medeiros. Caldo, o antecessor de Moreno na Secretaria de Governo, com penas que podem variar de 41 a 243 anos de prisão. Inês, que abriu mão da gerência de um banco para assumir a Secretaria Municipal de Fazenda, podendo amargar uma condenação de cinco anos e quatro meses a 32 anos de prisão. Entre os ex-vereadores a situação mais difícil é do ex-presidente da Câmara Sidlei Alves, apontado como deputado eleito no pleito de 2010, ano em que estourou a Uragano. Pior, em caso de retorno ao presídio Harry Amorim Costa, seria pela quarta vez, já que puxou a fila como expoente da Owari, depois voltando mais duas vezes, como uragano e, por último, responsabilizado pelos empréstimos consignados da operação Câmara Secreta. Se condenado, pode puxar de 37 anos e oito meses a até 223 anos. Pelos rigores do Ministério Público não poderiam escapar diretores de um hospital com fachada de filantrópico, mas acusado de superfaturar notas fiscais de serviços para desviar dinheiro da saúde. Afinal, "a vida (dos vereadores beneficiados pelo caixa-dois) não podia parar", enquanto pacientes do SUS esperavam na fila para conseguir pelo menos uma cadeira de fio para se "internar" em seus corredores. Por esse tipo de "caridade" o pastor presbiteriano e diretor do Evangélico Marco Aurélio Areias pode receber condenação de 35 a 207 anos de cadeia, a mesma pena para o administrador Eliezer Branquinho. Para seu antecessor no cargo, o engenheiro Paulo Roberto Nogueira, de 33 a 195 anos. Quando se fala em tantos anos de cadeia para tanta gente envolvida em retornos, não poderia faltar, claro, um empreiteiro. Nesta privilegiada lista, destaque para Geraldo Alves da Silva, sempre contemplado com um bom volume de obras executadas com recursos de emendas do xará e parceiro de primeira hora, deputado Geraldo Resende. A pena prevista para Geraldinho, de 24 a 151 anos de prisão. A esperança dos uraganos, que continuarão aguardando as sentenças em liberdade, até o último recurso, não é propriamente uma pizza, que, mesmo tamanho família não daria para matar a fome e manter o sonho de liberdade dos 69 acusados. Alguém, afinal, há de pagar o pato. Para eles, algumas porções de sashimi como as a que enganaram a fome da turma da Owari já está de bom tamanho. |
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