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Valfrido da Silva Melo é jornalista, escritor, roteirista, produtor e diretor de TV e consultor político.
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31/05/2010 | 18:46
Chique "no úrtimo"

 

Só pode ser coisa de Delcídio do Amaral, sujeito refinado, ou do ex-secretário de Governo, Raufi Marques, braço direito do homem mais rico do Brasil, o tal Eike Batista; de Zé Dirceu, o lobista mais poderoso da pátria amada; de José Carlos Bumlai, fazendeirão e usineiro amigo do cara, sei lá. Não interessa de quem é a grana, o que importa é que Titio Zeca, homem simples, habituado a pular cedo da cama para pegar no batente - e para tuitar - não iria concordar com tamanha barbaridade: uma convenção para escolher candidatos de um partido do proletariado num dos points mais chiques de Campo Grande - o Grand'Mere Bufet, no Carandá Bosque, bairro da elite da capital.  

Pelo convite, aí em cima, dá pra se ter uma ideia do festão que vai ser o lançamento das candidaturas do PT no próximo domingo. Agora, prestem bem atenção na cara desenxabida de Delcídio do Amaral. Será que está assim por que sobrou a conta para ele pagar ou pelo desconforto da companhia? Observem o detalhe - ou a sacanagem - dos dois petistas autênticos, Zeca ("di costas" para Delcídio) e Lula, mais a neófita fada-madrinha de Puccinelli, Dilma Rousseff, só sorrisos; o senador, com cara de peixe fora da água.

Outra coisa, agora no quesito conceitual. O mesmo PT que faz banquete num dos espaços mais caros por metro quadrado da cidade morena, onde não há lugar para pobre, é o que promete, pelo jeito, como mote de campanha, "mais crescimento e mais igualdade".

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31/05/2010 | 08:56
Um aviso aos navegantes. E ao Passaia

Foto: Anita Tetslaff

É como o vovó já dizia: quando os adultos falam as crianças prestam atenção.

Sempre digo pra Anita ficar por perto em eventos onde se concentram famosos de poderosos, para trabalharmos em sintonia. Mas, sabe como é, santo de casa não faz milagres. E assim foi que ela perdeu "a foto", que certamente ilustraria este texto, durante as moagens antecedendo a cerimônia dos 23 anos do DOF, sexta-feira passada - um tapão nas costas do blogueiro, seguido de um "afetuoso" abraço. Sim. Dele mesmo. Do Valdecir. Nem parecia o Valdecir que havia prometido conversar comigo só na frente do Dr. Juiz e que está processando o blog, exigindo uns troquinhos por danos morais. Em compensação, minha fotógrafa preferida e amada registrou o flagrante mais emblemático da situação a que chegou a administração pública de Dourados, com a submissão total de Valdecir a Eleandro Passaia, o porta-recados por ele demitido ano passado e depois recontratado a peso de ouro, agora todo-poderoso secretário de governo. Melhor, prefeito, de fato, de Dourados. Quem manda. O cara, enfim, como diria Barack Obama.

Faço essa chorumela toda para refazer um apelo aos milhares de bloguistas que diariamente me honram com a audiência, já que teremos dias difíceis pela frente, não só pela onda de denúncias - e de ameaças - envolvendo a administração municipal, como pela chegada das convenções partidárias para definir os candidatos às próximas eleições e, naturalmente, a partir daí, o pau comendo mais solto ainda.

Que fique claro aos navegantes da internet que acessam ao blog: não faço censura, apenas não publico comentários que atacam a moral e os bons costumes ou denúncias que não posso provar. Portanto, vamos elevar o nível dos debates.

E ao todo poderoso Eleandro Passaia, peço um favor. Ou, faço um desafio, se assim preferir. Já que insinua, como fez na presença do vice-governador Murilo Zauith, sexta-feira, que os comentários aqui postados são de autoria do próprio blogueiro, uma vã tentativa de desmerecer nosso trabalho, que vá à Justiça, que acione a Polícia Federal. Aí então ficaremos conhecendo a identidade dos "anônimos", como afirmou na Tribuna da Câmara o vereador Edivaldo Moreira, que confessa ser fã do blog.

Depois da descoberta que me levou ao asco e ao desprezo pelo tal de "Paulo Albertini", seria interessante conhecer figuras como a do Carlos, que, espero, não seja o famoso bandido, o "Chacal" e que tanto trabalho tem me dado na hora de liberar comentários.

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29/05/2010 | 09:17
Só sociedade organizada para conter o Valdecir

Foto: Anita Tetslaff

André Puccinelli: um tributo a Estevão Minhos, nos 23 anos do DOF 

Assunto predominante nas várias rodinhas que se formavam ontem durante as comemorações dos 23 anos de fundação do Departamento de Operações de Fronteiras - o DOF (nascido GOF), a corrupção que grassa na prefeitura de Dourados só terá fim caso a sociedade organizada se conscientize da gravidade da situação e tome a iniciativa de estancar o jorro do dinheiro público que vai para o ralo, como diz Oswaldinho Duarte. Ali, diante da elite de várias forças de segurança pública, de bombeiros ao Exército, um graduado representante do fisco foi enfático: "a polícia não consegue acabar com isto que aí está, da forma como está, só a pressão da sociedade civil". E citou o mais recente exemplo desse tipo de mobilização, que já derrubou presidente da República no Brasil - o projeto ficha limpa, recentemente aprovado no Senado graças ao movimento popular que recolheu milhões de assinaturas país afora, para que os parlamentares pudessem cortar a própria carne, já que o Congresso, com suas raras e honrosas exceções, é um dos maiores exemplos da sem-vergonhice nacional.

O próprio DOF é um exemplo de que quando a sociedade se organiza, arregaça as mangas e estabelece uma meta, as coisas acontecem. O coronel Adib Massad, em que pesasse toda sua fama de durão, sozinho, não conseguiria pôr fim à criminalidade que assustava a região no final dos anos 1980, ele que por aqui já andara na década anterior, fazendo sumir na quiçaça ou vendo morrer em combate com seus "meninos" alguns dos bandidos mais perigosos que atormentavam a região, como o lendário "Lobisomem".

O governador André Puccinelli, em seu discurso lembrando os feitos do GOF/DOF, foi muito feliz ao citar, dentre os presentes, o trabalho de um ícone do movimento que fez surgir esta força policial - o pecuarista Estevão Minhos. Foram muitas as churrascadas promovidas por Minhos, com a ajuda de outros beneméritos, para que o DOF se transformasse em exemplo de corporação para o País, a ponto de servir de modelo para o PFRON - Policiamento de Fronteira que o presidente Lula veio lançar oficialmente dias atrás em Ponta Porã.

Pelo que se ouvia ontem no DOF, o bicho vai pegar e já já entidades como a ACED, agora com sangue novo, a OAB, as tantas Lojas Maçônicas, Lions e Rotary, os Sindicatos e todos os demais segmentos representativos serão chamadas à responsabilidade, para que Dourados não se esvaia, diante da morosidade da Justiça. Exemplo disso é o pedido de uma comissão processante que já chegou à Câmara Municipal, por iniciativa de um advogado. Sem falar que na mesma câmara, a docilidade dos nobres edis para com a prefeitura parece chegar ao fim. Também nas ruas, desde o desfile do Pinóquio com cara de Valdecir, no último sete de setembro, os protestos começam a pipocar. Daqui a pouco, os cara-pintadas. Daí para a derrocada final é um passo, só um empurrãozinho.

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27/05/2010 | 09:54
Murilo vai disputar segundo voto para Senador

Foto: Anita Tetslaff

Há tempos André vinha apontando o caminho, só agora Murilo resolveu segui-lo. 

Finalmente saiu fumaça branca por trás da copa do encruado pé de Chico Magro em cuja sombra, no Parque dos Poderes, Murilo Zauith esperava pacientemente pela chegada de um campo-grandense bom de voto e "com a cara" de André Puccinelli para com ele galopar até a rampa do Senado da República. Tudo bem que o vereador Edil Albuquerque, com aqueles cabelos espetados, está mais para Dunga do que para Puccinelli, mas, em tempos de Copa do Mundo vai ver esta foi apenas mais uma das muitas exigências do vice para colocar sua campanha na rua. Beleza, Puccinelli é bonzinho e faz todas as vontades de Zauith. E assim foi que, ontem à tarde, o governador, que começou fazendo política percorrendo as linhas e travessões da Colônia Federal, do lado de lá da barranca do rio Dourados, pegou seu vice pelo braço, saiu até a sacada da vice-governadoria e anunciou para a Grande Dourados, em bom italiano: "habemus senador!".

Foi uma longa espera, mas compensou, para o projeto político do governador, principalmente depois que o manga-larga marchador de Waldemir Moka empacou por causa da poeira deixada pelo puro-sangue de Valter Pereira justamente na curva chegando a Dourados. Agora, Murilo Zauith entra pra valer nesta carreira, e o tal do olho mecânico com que Zeca do PT esperava decidir a eleição de governador certamente será necessário também para se saber quem será o segundo senador, levando-se em conta que todo mundo dá como favas contadas a reeleição de Delcídio do Amaral.

E nesse negócio de dois votos, de se poder eleger dois senadores de uma tacada só, Murilo Zauith leva uma baita vantagem. Começando pela desmistificação dessa história de eleição líquida e certa de Amaral. Peguemos um petista de carteirinha. Pra quem ele vai dar o primeiro voto, pra Delcídio, que até hoje não "delcidiu" se é PT ou se volta para o PSDB ou para Dagoberto Nogueira, o pedetista que espertamente pegou como suplente madame Gilda dos Santos, a patroa de titio Zeca? Delcídio já passa a ser a segunda opção de voto dos petistas, que não estarão proibidos de votar em Moka muito menos em Murilo, principalmente os da Grande Dourados. E os eleitores de André? A primeira opção de voto seria Moka, no Estado, a segunda, Delcídio ou Dagoberto. Agora, com a entrada de Murilo no páreo a coisa muda de figura. Estamos falando em Estado, porque na Grande Dourados, o segundo maior colégio eleitoral do Mato Grosso do Sul, Murilo é primeiríssima opção de voto. Detalhe, Edil Albuquerque, vice-prefeito de Nelsinho Trad, entra como suplente fechado com dezessete vereadores da capital, sem contar o tão propalado apoio da família Trad.

Se a Grande Dourados não fizer um senador desta vez, nunca mais.

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