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Valfrido da Silva Melo é jornalista, escritor, roteirista, produtor e diretor de TV e consultor político.
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30/06/2010 | 10:52
Délia Razuk quer a prefeitura, não a Assembléia

Foto: Anita Tetslaff

Campeã de votos na última eleição a vereadora Délia Razuk, única mulher na Câmara Municipal de Dourados, faz tanto sucesso, pela oposição moderada que faz ao Valdecir, que aparece na faixa dos 15% nas pesquisas de intenção de votos para deputado estadual. Mas ontem, da tribuna do Palácio Jaguaribe, ela deixou escapar porque abre mão de posição tão confortável, não disputando uma cadeira no plenário por onde passou o marido, "Don Roberto". Délia, na verdade, está de olho é na cadeira do Valdecir. "Quem sabe daqui a quatro anos (na verdade dois) uma mulher não encabeça uma chapa majoritária em Dourados", disse ao justificar seu compromisso (com o primo Jerson Domingos) de não disputar a Assembléia, indo até o final do mandato de vereadora.

Antes deste primeiro mandato na Câmara Municipal Délia Razuk foi companheira de chapa de Antonio Nogueira e de George Takimoto na disputa da prefeitura de Dourados. Com a saída de Roberto Razuk da cena política, ela, que deixou de ser coadjuvante no plano familiar, pelo jeito pretende encabeçar um projeto próprio também na política. E como o PMDB, seu partido atual, está cheio de caciques, é bem provável que após as eleições deste ano ela procure abrigo numa sigla em que possa ter controle absoluto, para, então, partir, de forma mais incisiva, para cima do Valdecir. 

Os deputados Geraldo Resende e Marçal Filho, companheiros de partido, por razões óbvias, insistiram com a vereadora, para que saísse candidata, mas, falou mais alto o compromisso familiar dela com o presidente da Assembléia, Jerson Domingos.

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28/06/2010 | 09:39
Agora é guerra!

Fotos: Anita Tetslaff

 

Zeca do PT e André Puccinelli: agora, oficialmente, à cata de votos. 

Cumprido o ritual das convenções (espero que nenhum gaiato resolva estragar minha "festa" de aniversário, depois de amanhã, último prazo para o lançamento de candidaturas), temos aí cinco dias para a parte burocrática - o registro dos candidatos junto à Justiça Eleitoral, para a checagem dos fichas sujas, dos que têm mais, dos que têm menos (bala na agulha, din-din ou garrafa vazia pra vender, vai do gosto do freguês) - e aí é pau na máquina. André, como bom italiano, com sua Ferrari tinindo de azeitada; titio Zeca, como bom pantaneiro, com seu cavalo paraguaio na ponta dos cascos, e, como amigo do peito do "Homi" (assim mesmo, com H maiúsculo), sonhando com a ajuda que pode vir dos céus, ou seja, do "aero-Lula" com o presidente a bordo para tentar fazer a diferença.

Pelo que se viu na pré-campanha já se pode ter uma ideia que vem por aí e, independentemente do nível dos debates - daqui pra frente monitorados pela Justiça Eleitoral - ficando a expectativa de uma confusão sem precedentes, diante do inusitado da lambança partidária que transforma palanques, agora sim, em verdadeiros balaios de gatos. No centro das atenções, André Puccinelli e Zeca do PT, na eleição que interessa mais de perto aos mato-grossenses do Sul. De resto, um Deus nos acuda, com aliados e adversários se misturando ora no palanque de André com Serra, ora no palanque de Zeca com Dilma. Exemplo maior disso, o prefeito Nelsinho Trad, de Campo Grande, cabo eleitoral de primeira hora de André, mas apoiando a ex-fada madrinha do governador, Dilma Rousseff para presidenta.

Confusão maior ainda no pega para o Senado. Delcídio do Amaral, não bastasse o salto alto que o distancia cada vez mais da companheirada do PT, agora com ciuminhos de Dagoberto Nogueira, ainda candidato, por causa de madame Gilda, a primeira suplente. Do lado de André, ou Murilo Zauith e Waldemir Moka, partem com tudo para destronar Delcídio ou revogam a lei da física que impede dois corpos de ocuparem o mesmo espaço.

Mas de arrepiar, guerra mesmo, será entre André e Zeca. O governador se diz tranquilo com os números das pesquisas que apontam vitória já no primeiro turno, como afirmou em Vicentina outro dia, "a poeira de distância". Zeca, admitindo dificuldades, prefere suavizar a situação, dizendo que a disputa vai ser no olho mecânico, aquele tréquinho que define o vencedor de páreos quando os cavalos chegam juntos. Além dos números das pesquisas, André põe também a maior fé nos números de seus três anos e pouco de governo, que, por suas contas, são mais expressivos que os oito anos do antecessor e adversário.

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26/06/2010 | 14:34
André é o quinto a buscar segundo mandato

Ao ter seu nome sacramentado na convencão (foto) do PMDB neste sábado como candidato à reeleição André Puccinelli torna-se o quinto governador do Mato Grosso do Sul a buscar um novo mandato, o segundo em reeleição consecutiva. Antes, quando não havia reeleição, dos governadores que o antecederam no Parque dos Poderes apenas Ramez Tebet, que assumiu a vaga deixada por Wilson Martins, não tentou um segundo mandato, mas elegendo-se depois senador por dois períodos, durante os quais foi presidente do Congresso e Ministro da Integração Nacional.

Hoje a legislação permite aos chefes de executivos uma recandidatura, apenas, diante da exiguidade de tempo para a implantação de programas de longo alcance, como alguns dos que vêm sendo tocados por André Puccinelli, a exemplo do Alcooduto, de ferrovias e rodovias, que seriam difíceis de concluir em apenas quatro anos, podendo sofrer solução de continuidade dependendo da visão do sucessor.

Depois do curto e tumultuado governo de Harry Amorim Costa, que não se sustentou por falta de apoio político, e da passagem, também relâmpago, de Marcelo Miranda pela chefia do executivo estadual, Pedro Pedrossian, nomeado pelo presidente Ernesto Geisel como terceiro governador, iniciou a implantação de um infindável programa de governo, no início da década de 1980, retornando, em 1990, aí, já, por meio de eleições diretas, e, mesmo assim não conseguindo terminar tudo o que havia começado dez anos antes. Marcelo Miranda, o segundo governador nomeado, também voltaria, eleito, em 1986. Wilson Barbosa Martins, o primeiro governador eleito, em 1982, elegeu-se novamente em 1994. E seu sucessor, Zeca do PT seria reeleito em 2002.

Interessante também que, à exceção de titio Zeca, todos os demais governadores foram parar no Senado - Pedro Pedrossian, que havia governado o Estado antes da divisão, elegeu-se em 1978, após ter sido preterido como o primeiro governador nomeado, ficando no Congresso pouco mais de um ano, para, aí, sim, ser nomeado governador. Wilson Martins desincompatibilizou-se do governo em 1986, elegendo-se senador, o mesmo aconteceria mais tarde com Ramez Tebet, que assumiu o governo em seu lugar. Marcelo Miranda, o segundo governador nomeado por Geisel e destituído, também, por pressões políticas, foi eleito senador em 1982, deixando a vaga para Antonio Mendes Canale em 1986, quando se elegeu governador.

André Puccinelli nunca escondeu suas pretensões de fazer o mesmo caminho dos antecessores, embora ultimamente venha dizendo que pode encerrar a carreira com "chave de ouro" ao fim do mandato que pretende, agora, "esticar" por mais quatro anos.

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24/06/2010 | 09:46
Recall de Zé Elias, em 82, favorece Murilo

Foto: Fábio Dorta

A lembrança de 1982 pode levar até o Valdecir para o palanque de Murilo.

Até hoje ouço douradenses (de todos os matizes políticos) choramingando pela oportunidade história perdida em 1982, quando José Elias Moreira renunciou ao mandato de prefeito para disputar o governo do Estado. Choramingos principalmente de quem não votou em Zé Elias e depois se arrependeu.Com a derrota para o campo-grandense Wilson Martins e o atraso que isso representou para a cidade surgiu a lenda da tal cabeça de burro, que à época imaginávamos ter sido enterrada no cemitério Santo Antonio de Pádua, mas que pelo jeito está, ainda, sob os escombros da praça Antonio João.

Pois bem. Dourados tem, agora, uma nova oportunidade de melhor se colocar no contexto político do Estado, com a decisão, embora tardia, do vice-governador Murilo Zauith de disputar uma das duas vagas de senador.

Peguemos como exemplo o próprio Zé Elias Moreira, a grande vítima de 82. Hoje ele é Zeca do PT até debaixo d'água, a ponto de exagerar ao dizer que se o ex-governador sair candidato a vereador em Porto Murtinho (uma possibilidade não descartada, pelo tamanho da piaba que pode levar este ano) ele para lá transfere seu título eleitoral. Tudo bem que é um arroubo, muito peculiar da fidelidade canina que sempre marcou a trajetória do filho de seu Quinzito. Mas e pra senador, pra quem vai votar Zé Elias, um douradense desses de quatro costados? Seria um drama se Delcídio do Amaral fosse um destes petistas que se orgulha da estrela vermelha que carrega no peito e se não andasse às turras com Zeca. E se Dagoberto Nogueira não tivesse os problemas que tem, com a ficha suja.

Por tudo isso, mas, principalmente, por Murilo Zauith ser o candidato de Dourados ao senado e pelo quê representa, certamente Zé Elias e o resto da banda que não está com André Puccineli vai contar até mil quando chegar à cabine indevassável, como dizia Jorge Antonio Salomão, para cravar o primeiro voto de senador. Ou que seja o segundo, vá lá. É igual, será um voto para o tão sonhado senador de Dourados.

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